domingo, 19 de julho de 2015

Pôr em causa toda a vida

Fonte da imagem: http://mahvillareal.blogspot.pt/2011_05_01_archive.html
Às vezes, não adianta tentar encontrar soluções temporárias para problemas que se prolongam ou repetem. Às vezes perguntamos porque determinadas situações se repetem, vezes sem conta, façamos o que façamos. Às vezes temos que pôr em causa a vida toda. Coragem? Temos que tê-la, ou então viveremos sempre na mesma porcaria a vida toda. 
Será que tudo aquilo em que acreditamos, em que apostamos a nossa vida inteira, vale mesmo a pena? Será que não estamos a ir atrás do fácil, do socialmente aceitável, do que os outros esperam de nós? Levamos uma vida inteira a convencermos-nos de determinadas coisas que nós próprios achamos que não há mais nada para além da vidinha que levamos.
Há que dar um murro na mesa. Que virar a vida do avesso, mesmo que isso implique arriscar a vida, porque por vezes tem mesmo que ser assim. É a mudança ou anular a nossa auto-estima, é revirar a vida ou permanecer na angústia e na depressão. Porque por vezes a terra necessita de uma tempestade para que cresçam flores.

domingo, 17 de maio de 2015

O silencio é como uma parede que divide


Resultado de imagem para silencioDetesto silêncio! O silêncio da não-comunicação mais do que o silêncio da solidão. No primeiro o sofrimento é duplo, porque está alguém contigo mas existe uma barreira invisível que tu não consegues entender; no segundo, tu sabes que o silêncio é consequência natural de não teres ninguém com quem comunicar.
O silencio é repelente. Leva as pessoas a procurar outros meios de quebrar o silêncio. Meios nem sempre os que quer, nem sempre os mais correctos. A parede invisível funciona exactamente como uma parede de cimento: divide, torna o outro inacessível. Se não falam contigo, se tudo o que tens para dizer não interessa ao outro, isto é a semente do silêncio.

O silencio é ensurdecedor. Grita tão alto que fere os teus ouvidos como nenhum outro som. Se calhar por isso procurar ouvir música, não consegues parar por um instante, para não teres que ouvir o seu som.
O silêncio mata. Mata relações, mata pessoas, mata negócios, mata o amor. Não passa de um assassino.
Muitas pessoas não sabem que estão a ser vítimas deste silêncio. Sabem quando é que não estamos a sê-lo? Quando paramos todos os sons, a ponto de conseguirmos ouvir-nos a nós mesmos, e sentirmos-nos bem, ao invés de angustiados. Quando desligamos o rádio ou a tv e não sentimos falta deles. Quando damos a mão ao nosso/a companheiro/a, filho/a, pai/mãe, etc, e olhamos nos olhos e sorrimos, porque sabemos que fomos ouvidos e que nos ouviram, mesmo sem dizer uma palavra.

domingo, 10 de maio de 2015

É proibido ter vida pessoal!

Este post é uma cópia integral do blog farinhademandioca.wordpress.com/ (link), pois expressa exactamente o que se passa com a maioria das relações laborais em Portugal, ainda que por vergonha ou medo, muitos funcionários continuem achando que está tudo bem, e que têm é sorte por terem emprego.

"É PROIBIDO TER VIDA PESSOAL



A ordem é trabalhar. Você trabalha pouco e vive muito. Está na hora de parar de viver. Quer moleza? Senta no pudim. Engole o choro. Onde já se viu chorar no trabalho?

Vai, anda, baiano folgado. Está com saudade da mamãe? Trabalha que passa. Tem uma fila enorme na porta querendo seu lugar.

Não está conseguindo trabalhar? Pede mesada pro papai. É isso ou não é nada. Não está feliz? Vai embora.

É perda de tempo fazer curso de línguas ou um esporte para ficar em forma. Primeiro porque você não vai ter tempo de ir, segundo porque seu jantar vai ser pizza com coca pet.

Lembre-se da minha entrevista de emprego: perguntei se você morava só ou dividia apartamento, se tinha filho, se cursava uma universidade. Tem que ser bom e barato.
Quebrou o pé? Pega táxi. Não tem prazo? Vira a noite. Separou? Sorte sua. Cada um tem o que merece.

Que porra de trabalho é esse? Não tem medo de perder o emprego? Isso que dá contratar nordestino. Volta pra pátria que te pariu, filhote de cruz credo.

Nem seguro desemprego você merece. Vou te demitir por justa causa. Está no contrato. Quem mandou ter vida pessoal?"

sexta-feira, 24 de abril de 2015

O sobrevivente

Fonte da imagem: www.jumbo.pt
Dois ratos caíram num balde de leite. Um deles afogou-se e morreu. O outro começou a dar às patinhas com toda a força que podia de forma a conseguir manter-se à tona. Tanto nadou, tanto nadou que, esgotado, desmaiou.
Na manhã seguinte, quando acordou, estava em cima de uma bola de manteiga.
Então o leiteiro veio, pegou no balde, viu o rato e matou-o
Eu sou o segundo rato.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Não fomos desenhados para ser infelizes

Fonte da imagem: http://kleluz.blogspot.pt/2012/12/infelicidade-alheia.html
O ser humano trás no seu ADN todas as directivas para formar um corpo físico, com todas as funcionalidades necessárias à vida e continuação da espécie, mas não só. Porque o ser humano não é só corpo mas é dotado de inteligência e consciência. Quer elas advenham ou não da organização física das células do nosso cérebro, à semelhança do ADN, foram criadas para serem perfeitas, dotarem o seu detentor de todas as funcionalidades que lhe são inerentes. 

Uma das "consequências" de sermos inteligentes e termos consciência é termos sentimentos. Os sentimentos advêm das emoções, mas têm muito a ver com a forma como lidamos com elas e da interpretação subjectiva que cada pessoa lhes dá. 

A estrutura básica das emoções não conduz à infelicidade enquanto sentimento predominante. As emoções, mesmo as negativas, duram apenas alguns minutos e têm funções específicas de sobrevivência e continuação da espécie. Ou seja, não foram concebidas para construir sentimentos de infelicidade, muito pelo contrário. Por exemplo, a emoção de tristeza, transversal a muitas espécies de mamíferos, perante a morte de alguém querido. Esta emoção negativa está ligada à emoção de amor. que queremos prolongar e que a morte nos impede de poder usufruir dela. Mesmo nestes casos, deverá ser limitada no tempo, sobrepondo-se a ela todas as outras que impelem o ser para o fim para o qual foi desenhado: sobreviver. Para sobreviver necessitamos de procurar alimento, cultivar relações de amizade/amor, procurar segurança e conforto. Esta busca activa não se coaduna com um estado de infelicidade, que não é mais do que a resignação a um estado de sofrimento. A procura activa da felicidade elimina a infelicidade proveniente do sofrimento, pois actua como um propulsor que nos obriga a seguir em frente e não a parar e ter pena de nós mesmos.

Se foi desta forma que fomos construídos, desde a nossa concepção no ventre materno, porque então tantas pessoas são infelizes? O que correu mal? O que correu mal é que o ser original foi influenciado por tantas coisas que mal se vislumbra por baixo de tantas influências. A forma como fomos ensinados ou as experiências que fomos adquirindo moldaram-nos. O livre arbítrio que tínhamos inicialmente foi substituído por um conjunto de "instruções" que consciente ou inconscientemente damos a nós próprios sobre como lidar com as nossas emoções. E, quer acredite quer não, por vezes essas "instruções" conduzem-nos à infelicidade, mesmo que provenham de nós próprios.  São como um desenho ao qual se vão acrescentando pormenores à medida que caminhamos pela vida. A dada altura, a imagem já não tem nada a ver com a inicial, e nem sequer sabemos que traços apagar, nem sequer quais os quer foram acrescentados.

domingo, 16 de novembro de 2014

Stress, Cortisol e Depressão: nova descoberta

Fonte da imagem: http://corposuplemento.com.br/blog/saude/o-hormonio-cortisol/
Quero publicar aqui, na íntegra, um artigo do Dr Drauzio Varella, publicado  no site http://drauziovarella.com.bre que mostra uma perspectiva diferente sobre a causa da depressão, e que nos dá uma esperança no sentido de se encontrar uma cura mais eficaz e duradoura para este mal que aflige tanta gente em todo o mundo. Estudos recentes têm posto em evidência o papel do stress no desencadeamento das depressões, principalmente nos efeitos da hormona associada, o cortisol.

"Na depressão, o existir é um fardo insuportável. “A tristeza é tanta que acordo pela manhã e não encontro razão para levantar; só saio da cama porque permanecer deitada pode ser pior”, queixou-se uma senhora depois do terceiro episódio da doença. “Na depressão, a vida fica por um triz”, observou ela.
Depressão é a tristeza quando não tem fim, quadro muito diferente do entristecer passageiro ligado aos fatos da vida. É uma doença potencialmente grave que interfere com o sono, com a vontade de comer, com a vida sexual, com o trabalho, e que está associada a altos índices de mortalidade por complicações clínicas ou suicídio É a mais comum de todas as enfermidades psiquiátricas, acomete mais as mulheres e apresenta caráter recidivante: depois do primeiro episódio, a probabilidade de ocorrer outro é de 50%; depois do segundo, sobe para 75%; e, depois do terceiro, para pelo menos 90%.
Se é uma doença psiquiátrica, que alterações acontecem no cérebro das pessoas deprimidas?
Há 40 anos a explicação mais aceita tem sido a de que no cérebro dos deprimidos haveria diminuição da produção de certos neurotransmissores (substâncias que agem na transmissão de sinais entre os neurônios), entre os quais a serotonina provavelmente exerceria papel preponderante.
A ideia de que baixos níveis de serotonina em certas áreas do cérebro seriam a causa da depressão foi reforçada pela demonstração de que o aparecimento de medicamentos capazes de aumentar as concentrações cerebrais desse neurotransmissor (das quais as mais populares são a fluoxetina e a sertralina) beneficiou grande número de pacientes.
Nos últimos dez anos, no entanto, a hipótese dos níveis inadequados de serotonina passou a ser cada vez mais contestada. O principal argumento contrário a ela foi o de que, embora concentrações diminuídas desse neurotransmissor tenham sido detectadas no sistema nervoso central de vítimas de tentativas violentas de suicídio, nunca foi possível demonstrar deficiência de serotonina no cérebro de pacientes deprimidos.
Em edição especial, a revista “Science” traz uma discussão sobre o conjunto de ideias mais aceito atualmente para explicar a depressão: a hipótese do estresse.
Segundo essa hipótese, em resposta aos estímulos agressivos do ambiente, o hipotálamo produz um hormônio (CRF) para convencer a hipófise a mandar ordem para as suprarrenais produzirem cortisol e outros derivados da cortisona.
Diversos trabalhos experimentais mostraram que esses hormônios do estresse (CRF, cortisol e outros) prejudicam a saúde dos neurônios, porque modificam a composição química do meio em que essas células exercem suas funções. A persistência do estresse altera de tal forma a arquitetura dos circuitos neuronais que chega a modificar a própria anatomia cerebral. Por exemplo, provoca redução das dimensões do hipocampo, estrutura envolvida na memória, e área fundamental para a ação das drogas antidepressivas.
Pesquisadores da Universidade de Emery, em Atlanta, demonstraram a existência de períodos críticos na infância em que sofrer violência física, abuso sexual, ausência de cuidados maternos e outros tipos de estresse emocional podem conduzir à hipersecreção de CFR no hipotálamo, com consequente liberação de cortisol pelas suprarrenais, alterações associadas à depressão na vida adulta. Os pesquisadores concluíram que “muitas das alterações neurobioquímicas encontradas na depressão do adulto podem ser explicadas pelo estresse ocorrido em fases precoces da infância”.
De fato, no estudo clínico conduzido em Atlanta, 45% dos adultos com quadros depressivos de pelos menos dois anos de duração haviam sido abusados, negligenciados ou sofrido perda dos pais na infância.
Outro achado importante para definir o papel dos hormônios do estresse foi a demonstração recente de que a injeção de CRF diretamente no cérebro de animais de laboratório induz o aparecimento de quadros típicos de depressão e de distúrbios de ansiedade, sugerindo que depressão e ansiedade tenham mecanismos comuns e possam ser induzidas por fatores semelhantes. Talvez seja essa a justificativa para a maioria das pessoas com depressão na vida adulta referir personalidade hiper-ansiosa na infância e adolescência.
Neurocientistas proeminentes defendem a teoria de que o mecanismo através do qual o estresse induziria depressão estaria ligado ao hipocampo: os hormônios do estresse suprimiriam o nascimento de novos neurônios nessa estrutura crucial para o processamento da memória. Tal suspeita ganhou ímpeto especialmente depois da publicação, meses atrás, de uma descoberta inesperada: depois de duas ou três semanas de tratamento com drogas antidepressivas começam a nascer novos neurônios no hipocampo (neurogênese). Esse achado explicaria também por que, apesar de os antidepressivos elevarem imediatamente os níveis cerebrais de serotonina, sua ação benéfica só se manifesta semanas mais tarde.
O conhecimento da arquitetura dos circuitos cerebrais envolvidos na depressão adquirido nos últimos dez anos provocou uma explosão de ensaios terapêuticos com drogas dotadas de mecanismos de ação muito diferentes das atuais. Estamos no limiar de descobertas que revolucionarão o tratamento dessa enfermidade tão debilitante."

domingo, 21 de setembro de 2014

Sabe quando é altura de tomar um calmante?

Ver fonte da imagem
Resposta lógica à pergunta do título: quando estamos enervados, stressados ou ansiosos. Mas saberemos todos responder à pergunta: sabe quando está enervado, stressado ou ansioso? Esta resposta é mais difícil. Nem todos sabemos responder.

Estes estados manifestam-se de forma diferente de pessoa para pessoa e por vezes conforme a situação. Daí, não haver uma check-list de "sintomas" universalmente aceite que possamos picar afim de concluir se está na altura de tomar medidas para acalmar.
Eis alguns dos "sintomas" que nos levam a pensar que não estamos ansiosos nem stressados:

  • - "Sinto sono" - Nem sempre é um indicativo de que esteja calmo. A ansiedade elevada (ver post Tensão em demasia causa sono) causa sono;
  • - "O que eu tenho são dores de estômago, deve ser qualquer coisa que comi" - Atenção, uma das principais causas dos problemas gastrointestinais é o stress!;
  • - "Estou cansado/a porque tive muito trabalho" - Será?! Quantas vezes você não teve muito mais trabalho e se sentiu muito melhor?;
  • - "Sinto-me fraco/a porque não me tenho alimentado correctamente" - Se bem que a principal causa da fraqueza seja a insuficiente alimentação, por vezes o stress e ansiedade esgotam o corpo produzindo sintomas semelhantes;

Quando um estado ansioso é lento mas progressivo, às vezes nem nos apercebemos que estamos ansiosos. Aquele estado parece-nos normal, quase já nem nos lembramos de como nos sentíamos antes. Daí que muitas vezes não consigamos reconhecer o quanto mal estamos. O mesmo se passa com o stress. 

Conheça melhor o seu corpo. Interrompa a progressão de estados ansiosos e de stress antes que se tornem de tal forma graves que prejudiquem a sua vida e bem estar. Aprenda a reconhecer o momento em que deve tomar medidas para retornar à sua paz.